sábado, 23 de maio de 2026

SUMIÇO NA TERAPIA: BANQUETE DE AUTOCONHECIMENTO

    Como você termina ou suspende sua psicoterapia? Você conversa com o psicólogo durante a sessão, ou evita esse contato e envia mensagem de texto em cima da hora? Você expressa sua decisão, ou apenas some, sem dar satisfação? Não há julgamento aqui. Eu também já suspendi processos psicoterapêuticos de várias maneiras. No entanto, isso pode dizer algo sobre nós mesmos, servindo um excelente banquete de autoconhecimento. Aqui eu te chamo pra análise e pra reflexão desta importante questão. 

Comportamento alvo clinicamente relevante (CRB1) é o nome que nós, analistas do comportamento, damos para as respostas comportamentais presentes nas queixas dos pacientes, que aparecem dentro do processo psicoterapêutico. Explico: Maria queixa-se de que as pessoas não prestam atenção no que fala, afirmando que a sua voz é baixa e tediosa; durante a sessão, o psicólogo se esforça pra ouvir e manter a atenção na fala de Maria. Nesse caso, a voz baixa e a fala tediosa, presentes na queixa, estão se manifestando na sessão, sendo, portanto, um CRB1. Conseguiu fazer uma ponte com sua conduta? Então pergunto: a forma que você interrompe ou encerra sua psicoterapia é um exemplo de algum comportamento que tem te trazido dificuldades? 

Talvez ela denote:

  1. Dificuldade de lidar com a raiva e a frustração
  2. Passividade e falta de assertividade
  3. Dificuldade em identificar e expressar o que sente
  4. Baixa autoestima e desesperança
  5. Impulsividade e instabilidade
  6. Quebra de confiança e na relação terapêutica
  7. Dificuldades na tomada de decisões e resolução de problemas

    Em suma, talvez ela seja a manifestação dos sintomas do seu quadro e esteja se repetindo em diversas outras áreas da sua vida. 

Reflita aí.

    Por que pensar sobre isso? Para aprofundar o trabalho no retorno, ou numa próxima. Saber a forma e função do seu comportamento é, em suma, parte do processo psicoterapêutico. Dessa maneira, analisar seu modo de suspender ou encerrar a psicoterapia é, em si, um ato coerente com o próprio processo clínico, que pode possibilitar a sua mudança e evolução. Maria, por exemplo, pode se sentir não ouvida pelo seu psicólogo e encerrar o processo simplesmente sumindo. Ao analisar a questão, ela pode perceber que já fez isso antes, tendo frequentemente sumido de amizades, namoros e até de empregos. De posse disso, Maria pode voltar pra sessão e abordar o assunto com o profissional, buscando transformar o problema. 

Então, quem sabe esse olhar também possa te servir de escada para a melhora. Claro, existem ainda outros aspectos envolvidos nessa complexa questão, que não foram alvo do nosso encontro aqui, como a relação psicoterapêutica e os comportamentos clinicamente relevantes por parte do próprio psicoterapeuta. Isso, fica pra próxima. No mais, siga o preceito do sábio: "conhece-te a ti mesmo". 

    Gostou? Fez sentido? Comente e compartilhe nas redes com seus amigos e familiares. Em breve, volto com mais ideias para pensarmos juntos. 

    Caso queira agendar uma sessão, procure-me nas redes: @psimauriciomendonca (instagram) e nos links de agendamento. Forte abraço.



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